Sempre fui de intensidades, de imensos, de profundidade. Sempre detestei o morno e o tanto faz, me importo demais com o outro para deixar o indiferente reinar.
Sempre fui de valorizar cheiros, gostos, toques, olhares e intenções, essas então, quando usadas para o bem, enchem meu coração de espaços, expande algo especial dentro de mim.
Sempre valorizei aquilo que não se pode comprar, aquilo que só se toca com a alma.
Gosto de sorrisos e lágrimas honestas. Gosto de acolhimentos, gargalhadas, silêncios compartilhados para respirar ar puro em algum lugar.
Gosto de cheiro de mar, gosto de olhar aquela imensidão e perceber que não tenho o controle de tudo, que as coisas funcionam bem, mesmo quando não tem as minhas perfeccionistas mãos rs.
Sempre achei que o melhor lugar do mundo é dentro do abraço de alguém que potencializa meu universo, alguém que alimenta meu pertencimento e se reconhece em mim como lar. Sempre digo ao meu filho que o abraço dele é meu melhor lugar.
Sempre fui boa ouvinte e gosto de quem realmente escuta.
Sempre achei meus 1,61m incompatíveis com os sentimentos gigantes aqui dentro, sempre considerei pouco espaço para tanto barulho interno.
A maternidade me fez mais seletiva, mais temerosa das consequências, me fez perceber que o que dói em mim reflete no meu filho e fez com que eu criasse uma blindagem para meu amor próprio.
O outro não é o obrigado a saber o meu valor, mas eu sim.
A minha maternidade atípica me mostrou que tenho uma resiliência que imaginei inexistir, me mostrou como o amor tem a capacidade de se moldar a novas realidades e como tudo que fui, antes de ser mãe, ainda está aqui com todos os meus muitos, intensos, imensos e tantos…
A maternidade atípica me deu a oportunidade de aflorar minha criatividade, estabelecer claramente prioridades, valorizar a nossa paz. Acalmou minhas urgências pessoais e me ensinou o que é, realmente, viver um dia de cada vez.
Assim como o mar, que segue seu curso natural sem deixar de ser profundo, bonito, diverso, intenso, alguns dias mais furioso outros calmaria, deveria ser a vida da mulher que se torna mãe.
Desejo que todas as mulheres humanizem seu maternar, conservem sua essência, exercitem a auto compaixão, acolham suas dores e continuem imensas… Imensas no amar e no se amar.
Michelle Carvalho.
De repente autista Por Michelle Carvalho, escritora blog De Repente Autista, desenvolve conteúdos sobre autismo, palestrante, mãe de um autista e pesquisadora incessante
Que texto lindo, vc tem o dom de verbalizar sentimentos
Obrigada. Fico feliz que tenha gostado.
Simplesmente MAGNÍFICO!!!!!!
Obrigada pelo carinho
Amei o texto, muito lindo!
Você descreveu meus pensamentos, meus sentimentos, tudo!
Amei!