O que o Autismo me fez ver!


Eu ouvi seu primeiro choro, vi seu primeiro sorriso, ouvi sua primeira palavra, e o equilibrei nos seus primeiros passinhos. Eu fiquei acordada a noite inteira durante a primeira febre e dormi  2 anos com a babá eletrônica no ouvido. 

Vi seu desenvolvimento típico de uma criança “normal” se desfazer aos poucos.


Vi suas frases se tornarem sem sentido, vi sua dança ficar descoordenada, vi suas mãozinhas não saberem mais segurar os talheres, vi seus pulos não passarem de meio calcanhar saindo medrosamente do chão.


Vi o “mamaaaãe” deixar de existir, e os brinquedos se tornarem somente peças de enfileirar. 


Vi os olhos antes fixos nos meus, curiosos para aprender, se desviarem ou olharem através de mim.


Vi sua comunicação ficar cada vez menos funcional e os sentimentos confusos, com choros e risos sem contexto.


Vi o Autismo se aproximar, como quem vê uma avalanche e se segura o mais firme possível esperando aquilo passar para ver o tamanho do estrago.


Vi meu filho perder habilidades todos os dias, durante quase 4 meses e só me restava ajoelhar ao lado da mini cama dele e orar enquanto ele dormia. Vi o dia amanhecer, com as pernas dormentes e os olhos vermelhos de chorar.


Vi o despreparo de uns, o preconceito de outros e decidi que as minhas asas eram grandes o suficiente para voar por nós dois e estudei, estudei, estudei… Perguntei, questionei, discuti, aprendi, desaprendi, sofri, lutei, ganhei e algumas vezes perdi. Mas nunca desisti.


Vi meu filho cercado por pessoas escolhidas por Deus, vi cada anjo que cruzou nosso caminho. Vi ele recuperar habilidades perdidas, desenvolver habilidades novas e ouvi “a mamãe”, como se me enxergasse novamente.


Vi, ensinada por ele, a importância dos detalhes, a beleza do simples, a graça da literalidade, a percepção do outro pelo agir e não pelo falar, vi o quanto as atitudes dizem sobre alguém. 


Vi que a seletividade social é um presente e só fica ao nosso lado quem realmente se importa, quem consegue amar, ser amado, somar, doar, receber, sem medo de se envolver. Antes eu me sentia triste por cada afastamento, hoje enxergo como livramento. As coisas já são complicadas o suficiente para “ancorar o barco”.

Vi que precisava lutar pela inclusão, mostrar todo seu potencial para se desenvolver e percebi que quem nunca viveu a exclusão, não tem dimensão do que isso significa na prática. 


Vi que temos mais facilidade em rejeitar e ignorar o que não conhecemos e decidi informar, conscientizar, falar, escrever, mostrar a existência.


Vi que o amor e o medo andam juntos, mas entendi que temos racionalmente a escolha de alimentar um ou outro.


Vi e senti em casa milímetro do meu corpo o quanto o medo paralisa, mas escolhi ver o quanto o amor transforma e viver todos os dias focando, me emocionando e vibrando com os pequenos ganhos ao invés de olhar para o que ainda falta.


Vi que nem sempre os dias são bons, mas que o dia seguinte pode ser melhor.

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3 comentários

  1. Nossa que lindo!! Chorei muito rs…

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